Se despede o verão. Ficam pra trás os corpos suados da estação, a emoção aquecida dos dias, a aflição vivida sob o sol que também prometeu amenidades... ficam guardadas no departamento dos arquivos da capacidade, no compartimento das experiências humanas, vividas com a honra da vontade de experimentar cada dia, seja na estrada que chove, ou na tapera que enxuga a coragem de esperar, o tempo bom.
O calor cumpriu sua missão, como cumprimos nós a abertura das portas que precisavam de passagens... passamos.
Chega o outono.
As folhas fazem malas. O chão adornado serve de cama pro velho que precisa descansar. Os telhados aceitam os acenos e acolhem o passado que precisa ir embora.
A paisagem se esmaece em sépia; protege em gestação a nossa firmeza e garante a integridade de nossos ossos pro inverno que virá. Enquanto continuamos aqui, comendo das alegrias que fortalecem a calma de esperar a meteorologia de nossas ações e suas previsões, que sabem prometer cobertores, se carecer de alma, a nossa carne de viver.
Casciano Lopes
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