4.6.26

Ave.... Ave

Por vezes voam nos meus olhos
os mares, a Terra, e a reconstrução.
Até meus olhos voam
pelas matas caçando jeito,
buscando a alimentação do sonho.
Utopia?
Não, só olhos.

Casciano Lopes

Instante em moldura

O agora por si só,
é o milagre
que a gente passa a vida
esperando acontecer.

Casciano Lopes

Porque não fala

No silêncio de meus cômodos encontro poeira, amontoados de objetos não incinerados, papéis de cartas não descartados, brinquedos aposentados... barulhentos.
Mas também encontro assoalhos lustrados, móveis encerados, penteadeira ainda com reflexo meu, aposentos de guardar assustados... assombrados.
Nos meus cantos tem santo calado, tem breu em tom profanado, mas que sabe implorar pro anjo alado escalado, quando a vela cala com fogo... meus átrios.
E tudo isso faz muito barulho.

Casciano Lopes

GPS do movimento

Recalcular a rota
garante chegada,
insistir no trajeto,
Não.

Casciano Lopes

Ciclo sem fim

Essa roda que gira,
que leva o baixo pro alto,
o alto pro baixo.
Essa chuva que estia o passeio,
que depois molha a vitrine da rua,
embaçando o manequim e o anseio.
Essa calçada que desfila
um resto de menino,
que põe o velho devagar,
divagando entre o fim da avenida,
e o começo da construção
que se ergue na esquina.
Dizem que é edifício,
o ciclo que forma andares.
Molhados e secos elevadores
caminharão por ele,
carregando novos e gastos
guarda-chuvas.

Casciano Lopes

Na frequência

O que importa
anda no meu bolso de guardados,
tocando em meu rádio antigo.

Casciano Lopes

Sem fim também é a liberdade

Tem um infinito aqui,
em mim ofereci cadeira.
Sentou o mar sem fim.
Descansou albatroz.
Até o tempo sentou-se,
e esqueceu a ladeira.
Vive assim,
prometendo...
coisa de quem não finda.

Casciano Lopes

Olhar estendido

Ainda que por um tempo, 
que seja de inteiro sentir.
É preciso ver, olhar, enxergar.

Casciano Lopes

Irei

Cruzarei
as minhas pontes
sempre.
Enquanto houver
um tanto de mim
do outro lado,
atravessarei.

Casciano Lopes