Quando choveu pela primeira vez lá onde nasci, entendi pra sempre que nada é tão limpo que não precise de água.
Sou alguém que não passa impune pela poeira, fico impregnado.
Quando vejo a fogueira, fagulhas me atiçam, quando venta, meus cabelos se desconectam, e se planto ou colho, minhas mãos em terra pedem água...
Água, a que me banha de tardezinha, e a que me desmonta na chuva desavisada.
Sou atingido pelo mundo porque estou nele, luz e sombra andam em mim porque preciso conviver com as duas, até que se apague em mim a chance de entender isso.
Casciano Lopes
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