18.1.26

Filho da porta

Ela me deixou ser quem eu era, sem perguntas e com respeito, me aceitou e admirou, me tratou como especial, me elevou ao patamar dos aprendizes.
Me contou casos que nunca esqueci, me fez parte da sua vida, me moldou pra saber quem éramos, me fez conhecer nossas origens, e eu gostei.
Me deu memórias.
O encantamento vinha na fala, a visão da coragem vinha no olhar de cuidado, a calma estava espalmada nas mãos que entendiam de artesanato, mas que também compreendiam de acolhimento e proteção. Ela sabia bordar um caminho dentro da gente quando não havia saída.
Se tornou a minha história...
E eu aprendi a contá-la todo dia, assim não me esqueço na porta quando tenho que entrar, quando preciso passar com minha saudade.

Casciano Lopes

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