vi a chuva lavando a janela do trem que me embalava a viagem,
vi majestades sentadas nos tronos de meu palácio,
vi sabores únicos crescerem na minha terra,
vi flores que se ofereceram pra minha mesa,
vi gente grande se espremendo pra caber na minha casinha de morar,
vi bandeiras sendo dobradas e colocadas nas minhas mãos que não sabiam se despedir,
vi mestres adornando o santuário do meu templo,
vi meu coração se rasgando pra caber um tantinho de quero mais,
vi relógios atrasando pra não irem embora da praça de minha cidade,
vi dias nascendo e chorando seu fim.
Mas também vi a roda girar:
Mas também vi a roda girar:
a da vida, a da fortuna como a do tarô, a gigante como a do parque,
a da carroça que meu avô conduzia,
a que representa o círculo das crianças da ciranda,
a do moinho que estalava lá na roça enquanto eu nascia.
Gira mundo...
Gira mundo...
gira que é pra manter a roda que me desloca girando.
Ela me tira da mesmice, me devolve à meninice de ver tudo recomeçar.
Casciano Lopes
Casciano Lopes
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