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14.6.10

Agonia

Quente como uma noite de sexta
Uma sexta qualquer 
Que por qualquer motivo mais quente fica
Escorre na nuca o que não encontra saída
Formigam os pés e sem tostão
Veias pulsam sem tomada de pressão
Os nervos contraem e retraem
O aço corre derretido caudaloso nos poros
Escorre em erupção pelos canais dos ais
Coração megafone grita para o lábio
Que sussurra para o rosto um sopro
Um suspiro gemido cola no ouvido
Imaginação delirando próximo ao perdido
Emaranhando-se olhos buscadores
Farejando feito cão, o chão da cama
Perdendo o faro nas mãos molhadas
Sentindo no colo um fardo feito fado
Querendo só uma noite latejante
Entre pernas que não as próprias.

Casciano Lopes

Gente

Por que será... ?
Que o mundo girando me deixa tão tonto
Que o sol se põe tão distante e o horizonte tão longe
Caminha tão perto do sonho da gente
Que a luz não se apaga quando os cílios se encontram
E que a boca deseja cerrada
Aquilo que se mostra na estrada da gente
O que será...
Que a gente mastiga nas ruas correndo?
Por que a lua de prata deixa pobre e iluminada a saudade da gente
E a gente tão gente... sofre carente a falta de gente?

Casciano Lopes