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12.8.11
O beijo
É quente como pão de forno caseiro
Passageiro como chega e vai
Eterno como certa é a morte
Começa no encontro e foge criminoso
Termina onde anda o deserto mordido
Anda perfumando o outro de vermelhidão
Entorta a visão dentro das bolsas cerradas
Saliva o gosto desconhecido e reconhece
Mancha a roupa se prolonga
Se principia, não tem fim... O beijo
Ardida necessidade
Acudida a hora em que acontece
Mira bem fazendo mirabolante a sensatez
Insensatos lábios
Avermelha o céu enlouquecendo os badalos
Enrouquecendo os sinos
Desafinando cordas e respiração.
O beijo.
Casciano Lopes
14.6.10
Encontro marcado
Tornando-se indistintos polegares e indicadores
As pernas agitadas compõem melodias
Enquanto os lábios assobiam uma antiga canção
Os olhos procuram no fim da curva
Uma roupa conhecida, uma face reconhecida...
Hora marcada em qualquer lugar
Para encontro de um velho amigo.
Casciano Lopes
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