Em todo caminho
Há um tanto de vida
Outro tanto de cores
Somado a um tanto de poesia.
Casciano Lopes
29.9.11
Noite contábil
Fim de tarde... De mais um dia...
Hora de somar os ventos
Para ver se forma tempestade.
Casciano Lopes
Hora de somar os ventos
Para ver se forma tempestade.
Casciano Lopes
28.9.11
Locomoção
Veio esfregando
Como lavadeira
Seu chão de trilhos
Veio rebolando
Como vedete
Seu corpo longo
Veio chegando...
Suspirando cansado
Expirando ar quente
Abrindo e cerrando
Portas e bocas
Comendo e vomitando
Gente e um trem de ilusão.
Casciano Lopes
Como lavadeira
Seu chão de trilhos
Veio rebolando
Como vedete
Seu corpo longo
Veio chegando...
Suspirando cansado
Expirando ar quente
Abrindo e cerrando
Portas e bocas
Comendo e vomitando
Gente e um trem de ilusão.
Casciano Lopes
É difícil
Tanta dureza nas formas
Frieza nos alicerces
Amontoado de concreto
Ferros e esquadrias
Exposto em vidraças
Imposto em andares
Endurecida vista vertical
Embrutecida paisagem
Eleva-se sobre os pisos
Onde deitam-se ladrilhos
Frio mármore e seu povo
Em suas paredes pastilhas
Remodelam bandeiras
Trêmulas bandeirolas
Do capitalista e seu capital.
Casciano Lopes
Frieza nos alicerces
Amontoado de concreto
Ferros e esquadrias
Exposto em vidraças
Imposto em andares
Endurecida vista vertical
Embrutecida paisagem
Eleva-se sobre os pisos
Onde deitam-se ladrilhos
Frio mármore e seu povo
Em suas paredes pastilhas
Remodelam bandeiras
Trêmulas bandeirolas
Do capitalista e seu capital.
Casciano Lopes
O desconhecido
Seja quem for
Tem que trazer
Franqueza na alma
Alegria na carne
Perfume nos olhos
E liberdade nas mãos.
Casciano Lopes
Sempre vale
Já tive na vida...
Decepções, angústias, gratas surpresas
Saudade, fobias, alegrias
Medo de chuva, vontades, insônia
Tristezas profundas e rasas descrenças.
De tudo...
Valeu a pena estar vivo
Para ser quem sou,
Acreditar no que construí
E levar adiante aquilo que penso,
O que escrevo
E o que está por vir.
Casciano Lopes
Decepções, angústias, gratas surpresas
Saudade, fobias, alegrias
Medo de chuva, vontades, insônia
Tristezas profundas e rasas descrenças.
De tudo...
Valeu a pena estar vivo
Para ser quem sou,
Acreditar no que construí
E levar adiante aquilo que penso,
O que escrevo
E o que está por vir.
Casciano Lopes
Manifesto
A religião está dentro de nós
Os templos existem apenas
Para interesses capitalistas
E sustentação de uma falsa moralidade
Apregoada por uma sociedade hipócrita
Igualmente sustentada por um Estado demagogo.
Casciano Lopes
Os templos existem apenas
Para interesses capitalistas
E sustentação de uma falsa moralidade
Apregoada por uma sociedade hipócrita
Igualmente sustentada por um Estado demagogo.
Casciano Lopes
Um navegante
Navegando como quem acredita
Que abaixo das águas e sobre elas
Existe um mar de pessoas incríveis
Desconhecidas de minha poesia.
Casciano Lopes
Que abaixo das águas e sobre elas
Existe um mar de pessoas incríveis
Desconhecidas de minha poesia.
Casciano Lopes
Graça compartilhada
Em toda a graça há sempre
Uma porção de generosidade
E nela uma pitada
De amor humano.
Nesse amor encontramos tanto!
Tanto a razão
Quanto a emoção de existir
E na efêmera existência
Motivos mil para compartilhar
A importância de ter
E fazer amigos.
Casciano Lopes
Uma porção de generosidade
E nela uma pitada
De amor humano.
Nesse amor encontramos tanto!
Tanto a razão
Quanto a emoção de existir
E na efêmera existência
Motivos mil para compartilhar
A importância de ter
E fazer amigos.
Casciano Lopes
"Brasil, mostra a tua cara!"
Até quando este país e sua gente
Tolerará a ignorância de alguns
E a intolerância de outros tantos?
Será em nome de uma lei falida,
De uma moral hipócrita
E de uma religião financiada
Por seus crimes brancos?
Casciano Lopes
Tolerará a ignorância de alguns
E a intolerância de outros tantos?
Será em nome de uma lei falida,
De uma moral hipócrita
E de uma religião financiada
Por seus crimes brancos?
Casciano Lopes
16.9.11
Vestido sem querer
Vestiu com desinteresse
Seu terno azul
Com que desinteresse vestiu-se!
O corpo furtava-se do desejo
De vestir
De calçar
De ir...
Calçara o sapato preto
O que mais gostava
Portanto menos usava
Com que dificuldade
O vestiu...
Guardava-se como boneco
Para o desconhecido
Para o gelado caminho
Alinhado como para festa
Que não queria ir.
Empalideceu-se todo
Numa rigidez medrosa
Em prece nervosa
De destino vestido de azul
Para onde não queria ir.
Levaram-no obrigado
Deitaram-no incomodado
Fecharam-no numa caixa
E ainda jogaram terra
Por cima do desabrigado.
Agora desabrigado.
Casciano Lopes
Seu terno azul
Com que desinteresse vestiu-se!
O corpo furtava-se do desejo
De vestir
De calçar
De ir...
Calçara o sapato preto
O que mais gostava
Portanto menos usava
Com que dificuldade
O vestiu...
Guardava-se como boneco
Para o desconhecido
Para o gelado caminho
Alinhado como para festa
Que não queria ir.
Empalideceu-se todo
Numa rigidez medrosa
Em prece nervosa
De destino vestido de azul
Para onde não queria ir.
Levaram-no obrigado
Deitaram-no incomodado
Fecharam-no numa caixa
E ainda jogaram terra
Por cima do desabrigado.
Agora desabrigado.
Casciano Lopes
27.8.11
Da vida
O botão amarelo
Seguido do verde
Tecido em flagelo
Estampa de rede
Tinha o descaminho
Do tempo tão gasto
Puindo colarinho
Deixando seu rastro
Mudando sua forma
Caia o vestido
Quebrando a norma
Do corpo perdido
A bainha desfeita
E casa roubada
Com manga imperfeita
Da etiqueta arrancada
O botão de rosa cara
Brotada em desalinho
Veste de forma rara
Seu vestido de armarinho
Passeia em equilíbrio
De prece o seu tecido
Esperando o ébrio
Ou vinho envelhecido
No corpo esguio
Da rua fada
Uma esmerada... esmeril
Da vida alada.
Casciano Lopes
Seguido do verde
Tecido em flagelo
Estampa de rede
Tinha o descaminho
Do tempo tão gasto
Puindo colarinho
Deixando seu rastro
Mudando sua forma
Caia o vestido
Quebrando a norma
Do corpo perdido
A bainha desfeita
E casa roubada
Com manga imperfeita
Da etiqueta arrancada
O botão de rosa cara
Brotada em desalinho
Veste de forma rara
Seu vestido de armarinho
Passeia em equilíbrio
De prece o seu tecido
Esperando o ébrio
Ou vinho envelhecido
No corpo esguio
Da rua fada
Uma esmerada... esmeril
Da vida alada.
Casciano Lopes
22.8.11
Auto retrato
Poeta sim, homem de bem
Do bem quero o poético ser
E da poesia a razão para viver
Sem pressa e percorrer sem dor
Cada linha
Cada tinta
E cada homem.
Casciano Lopes
Do bem quero o poético ser
E da poesia a razão para viver
Sem pressa e percorrer sem dor
Cada linha
Cada tinta
E cada homem.
Casciano Lopes
16.8.11
Acidente em curso
Fere sem lâmina a que perde o fio
Corta sem cortante a que perde a linha
Busca sem mapa a que se perde no vento
Rola sem queda a que desce as pedras
Desce sem pedras a que cai da fonte
Rompe sem nó a que estica o verbo...
A que brota fermentada
Feito palavra maldita
Palavra ao vento.
Casciano Lopes
Corta sem cortante a que perde a linha
Busca sem mapa a que se perde no vento
Rola sem queda a que desce as pedras
Desce sem pedras a que cai da fonte
Rompe sem nó a que estica o verbo...
A que brota fermentada
Feito palavra maldita
Palavra ao vento.
Casciano Lopes
12.8.11
Duzentas
Poderia ser:
Duzentas moedas de prata
Duzentas de ouro
Duzentas viagens inéditas
Duzentas formas de dizer obrigado
Duzentos ídolos revividos
Duzentos filhos nascidos
Duzentos amanhecidos e vivos
Duzentos pontos de partida
Duzentas plataformas de chegada
Duzentas boas idéias
Duzentas...
Duzentas...
É um pouco de tudo isso
Duzentas publicações
Duzentas badaladas deste sino
Demais...
As primeiras de mais
Demais...
De mais duzentas que virão.
Casciano Lopes
Sul seu
Surreal é o tempo ser marcado no teu suor
Contar as gotas para se acabar o gozo
É medir as horas por gemido
É colher o sémen em segundos
Enquanto cai no céu de tuas pernas
O inferno de meu cheiro deitado
É viver anos de sequidão
Em momentos de teus cabelos molhados
É podar teus pelos nos dentes
Para depois remendar
Para metrar as semanas futuras
E embebedar-me na tua saliva safada
Para não ver a noite passar
Para esquecer os ponteiros surreais
De um prazer sem relógios
Sem tempo de passar
Sem bússola de norte e sul
E por assim ser
Ficar em seu sul, como se o norte fosse.
Casciano Lopes
Contar as gotas para se acabar o gozo
É medir as horas por gemido
É colher o sémen em segundos
Enquanto cai no céu de tuas pernas
O inferno de meu cheiro deitado
É viver anos de sequidão
Em momentos de teus cabelos molhados
É podar teus pelos nos dentes
Para depois remendar
Para metrar as semanas futuras
E embebedar-me na tua saliva safada
Para não ver a noite passar
Para esquecer os ponteiros surreais
De um prazer sem relógios
Sem tempo de passar
Sem bússola de norte e sul
E por assim ser
Ficar em seu sul, como se o norte fosse.
Casciano Lopes
Aparando
Como no deserto o sol
Na areia o caranguejo
No mangue a lama
Cuide...
Beduíno tem camelo
Mate a sede!
Preserve o que bebe
Amamente o que mama
Corte o que cresce
Amole a que caça
Cuide...
Todo o colorido se faz
Tela e aquarela
Diferentes e essenciais
A vida... Cuide...
Se beduíno... Alimente
Se camelo... Bebe.
Casciano Lopes
Na areia o caranguejo
No mangue a lama
Cuide...
Beduíno tem camelo
Mate a sede!
Preserve o que bebe
Amamente o que mama
Corte o que cresce
Amole a que caça
Cuide...
Todo o colorido se faz
Tela e aquarela
Diferentes e essenciais
A vida... Cuide...
Se beduíno... Alimente
Se camelo... Bebe.
Casciano Lopes
O beijo
É quente como pão de forno caseiro
Passageiro como chega e vai
Eterno como certa é a morte
Começa no encontro e foge criminoso
Termina onde anda o deserto mordido
Anda perfumando o outro de vermelhidão
Entorta a visão dentro das bolsas cerradas
Saliva o gosto desconhecido e reconhece
Mancha a roupa se prolonga
Se principia, não tem fim... O beijo
Ardida necessidade
Acudida a hora em que acontece
Mira bem fazendo mirabolante a sensatez
Insensatos lábios
Avermelha o céu enlouquecendo os badalos
Enrouquecendo os sinos
Desafinando cordas e respiração.
O beijo.
Casciano Lopes
Tardinha
A tarde fria
Transcorria
Ele dizia e ria
Enquanto ela
Sofria e chovia
A tarde fria
Chovia porque sofria
Porque ele sorria e dizia
Que embora ia
Porque a tarde fria
Doía e pedia.
Casciano Lopes
Transcorria
Ele dizia e ria
Enquanto ela
Sofria e chovia
A tarde fria
Chovia porque sofria
Porque ele sorria e dizia
Que embora ia
Porque a tarde fria
Doía e pedia.
Casciano Lopes
11.8.11
Tempos modernos
Da Ásia as Américas,
Das latitudes as longitudes,
Do oriente ao ocidente,
Do Oiapoque ao Chuí,
Dos trópicos aos polos,
O que importa é desbravar
O coração de um homem...
Cada vez mais solitário,
Ensimesmado,
Catatônico,
Meditabundo,
Sorumbático.
Um coração capitalizado
Por tempos monetários,
Globalizado na velocidade,
Regido por pixels, bytes,
Tempos da "nano"...
Pequena ficou a capacidade
De sentir as estações,
De medir as horas pela janela,
De sentir o amigo de perto,
De dividir a lenha
Numa fogueira de inverno.
Desbrave como bravo,
Os campos dos seres,
A vizinhança desconhecida,
O outro lado da rua,
O estranho da janela amarela,
Ao invés das janelas do office de sua mesa fria.
Casciano Lopes
Das latitudes as longitudes,
Do oriente ao ocidente,
Do Oiapoque ao Chuí,
Dos trópicos aos polos,
O que importa é desbravar
O coração de um homem...
Cada vez mais solitário,
Ensimesmado,
Catatônico,
Meditabundo,
Sorumbático.
Um coração capitalizado
Por tempos monetários,
Globalizado na velocidade,
Regido por pixels, bytes,
Tempos da "nano"...
Pequena ficou a capacidade
De sentir as estações,
De medir as horas pela janela,
De sentir o amigo de perto,
De dividir a lenha
Numa fogueira de inverno.
Desbrave como bravo,
Os campos dos seres,
A vizinhança desconhecida,
O outro lado da rua,
O estranho da janela amarela,
Ao invés das janelas do office de sua mesa fria.
Casciano Lopes
Eles
Um dia alguém parou...
Pensou fazer,
Pensou doar,
Se dar.
Pensou poder,
Querer,
E ser.
Examinou-se...
Viu-se capaz,
Por vezes incapaz,
Mas quis,
Querendo fez.
A capacidade
Brotou com o fruto,
O amor veio no olhar,
A certeza do poder
Morou sempre no lar,
No suor teve a alegria
Só encontrada no balanço,
E na madrugada achou força
Para ver o primeiro riso,
O primeiro choro,
Para ler a primeira letra,
E ouvir o primeiro discurso,
Onde se fundiram um dia...
A integridade ensinada e a aprendida,
A lealdade doada e a alcançada,
O caráter plantado e o colhido.
Fundiu-se...
O homem e o pai.
Resultando num filho apaixonado
Pelo homem que um dia pensou poder ser...
PAI.
Casciano Lopes
Pensou fazer,
Pensou doar,
Se dar.
Pensou poder,
Querer,
E ser.
Examinou-se...
Viu-se capaz,
Por vezes incapaz,
Mas quis,
Querendo fez.
A capacidade
Brotou com o fruto,
O amor veio no olhar,
A certeza do poder
Morou sempre no lar,
No suor teve a alegria
Só encontrada no balanço,
E na madrugada achou força
Para ver o primeiro riso,
O primeiro choro,
Para ler a primeira letra,
E ouvir o primeiro discurso,
Onde se fundiram um dia...
A integridade ensinada e a aprendida,
A lealdade doada e a alcançada,
O caráter plantado e o colhido.
Fundiu-se...
O homem e o pai.
Resultando num filho apaixonado
Pelo homem que um dia pensou poder ser...
PAI.
Casciano Lopes
1.8.11
Conhecendo-te
Todo frio, corrente e seu ar
Toda nublada, nuvem e sua tarde
Todo o medo, vento e seu algoz
Não ofuscam e nem aplacam...
Os acordes de tua voz
A sinfonia de teu tempo
A pele de tuas palavras
E a melodia de tua existência.
Casciano Lopes
Toda nublada, nuvem e sua tarde
Todo o medo, vento e seu algoz
Não ofuscam e nem aplacam...
Os acordes de tua voz
A sinfonia de teu tempo
A pele de tuas palavras
E a melodia de tua existência.
Casciano Lopes
28.7.11
Hipocrisia
Em nome Dele
Se diz amém
Se pede alento
Se mede além
Se nega intento.
Em nome Dele
Se fere alguém
Se exclui querendo
Se ama ninguém
Se deixa o remendo.
Tolo céu...
Tola terra e seu homem,
Quanto tolos são os gestos
Quanto crer... Quanta tolice
Quanta dor provocada
Assim... Tola dor
Tolo o que poda
O que não deveria ser podado
Pois de tola nada tem...
A roseira nada tola.
Casciano Lopes
Se diz amém
Se pede alento
Se mede além
Se nega intento.
Em nome Dele
Se fere alguém
Se exclui querendo
Se ama ninguém
Se deixa o remendo.
Tolo céu...
Tola terra e seu homem,
Quanto tolos são os gestos
Quanto crer... Quanta tolice
Quanta dor provocada
Assim... Tola dor
Tolo o que poda
O que não deveria ser podado
Pois de tola nada tem...
A roseira nada tola.
Casciano Lopes
27.7.11
Comemorativo
Obrigado aos 5000 visitantes e leitores.
Cada qual com sua arte,
Seu jeito de ser,
Seu tempo doado...
Me impulsionou,
Me emocionou...
Fazendo valer o poeta,
A poesia
E o tempo emprestado,
O dedinho de prosa,
A cadeira e o causo,
O blogueiro e o homem.
Casciano Lopes
22.7.11
Intolerância
Por onde anda?
A certeza do amanhã melhor
A alegria pelo dia vindouro
A vontade do passeio na praça.
E a tal liberdade?
De ser e crer diferente
De atingir a plenitude de direitos
De pensar, dizer e fazer por si.
E as conquistas elaboradas nas lutas?
Contra a acepção de pessoas
O ir e vir dos pensamentos
A praça pública tanto quanto um país.
Escondeu-se:
Na vergonha de ser brasileiro?
Ou no orgulho de ser povo?
Pouco a pouco perde-se...
Na amargura das pessoas
Na indiferença do mesmo povo
Na incredulidade dos crédulos
Na infidelidade dos direitos
Na obrigatoriedade da democracia
Na teimosia da irracionalidade
Na fé torta em princípios
Na demagogia hipócrita dos templos
Na brutalidade dos vivos
Na infelicidade do poder público
Na lei arcaica de juízes de juízo duvidoso
Na má conduta da mídia imperialista
Nos desmandos de quem não sabe o que é...
Se bicho ou lixo.
Casciano Lopes
6.7.11
Bis
Por vezes me olhoMe toco como faz um violinista
Ajusto o queixo procurando
Como quem procura as cifras
Num corpo cifrado de acidentes
Solfejo as notas como em busca
Buscando no solo canção nova
De quem no corpo toca solitário.
Me descubro antigo
Tal qual antiga a canção
Tal qual velho o conhecido
Tão surradas são as notas,
Que em meio aos pentagramas
De um colo solfejado nos ais
Calado no cais aplaudem
E os dedos violinistas pedem...
Bis.
Casciano Lopes
5.7.11
Tempo de Carlinhos
Bom tempo
Dure tempo
Eterno tempo
Feliz tempo
Sem tempo
Para agruras
Com tempo
De aventuras.
Casciano Lopes
Dure tempo
Eterno tempo
Feliz tempo
Sem tempo
Para agruras
Com tempo
De aventuras.
Casciano Lopes
29.6.11
Verdadeiro ou falso
Sano ou
Insanidades mais?
Mais...
Mais...
Insanidade é
Dizer-se sano
Somos todos
Esqueletos de insensatez
Escassos de lucidez
Só assim vivemos...
Homens insanos em mundo imundo
Sem sanidade.
Aos poucos
Construímos a falta ou sobra
Da moralidade, da insanidade
Individual, própria e sábia
São e pessoal só o ser insano.
Casciano Lopes
Insanidades mais?
Mais...
Mais...
Insanidade é
Dizer-se sano
Somos todos
Esqueletos de insensatez
Escassos de lucidez
Só assim vivemos...
Homens insanos em mundo imundo
Sem sanidade.
Aos poucos
Construímos a falta ou sobra
Da moralidade, da insanidade
Individual, própria e sábia
São e pessoal só o ser insano.
Casciano Lopes
Caos
Onde vida e morte se aproximam
Nostalgia e querência de ontem
As filas se diluem em esperas fúteis
Em cartas inúteis se apraz a inteligência
Instalam-se
Faróis
Sombras
Gritos
Sono
Qualquer dormência
Qualquer infância
Ou imaturidade
Velhice antecipada
E dúvidas misturam-se a certezas
Fazendo palpitar um atropelo
Um flagelo de desejo moço
Um sussurro de velho torto
De torpe um pouco
De açoite mais um tanto
De muito caos.
Casciano Lopes
Nostalgia e querência de ontem
As filas se diluem em esperas fúteis
Em cartas inúteis se apraz a inteligência
Instalam-se
Faróis
Sombras
Gritos
Sono
Qualquer dormência
Qualquer infância
Ou imaturidade
Velhice antecipada
E dúvidas misturam-se a certezas
Fazendo palpitar um atropelo
Um flagelo de desejo moço
Um sussurro de velho torto
De torpe um pouco
De açoite mais um tanto
De muito caos.
Casciano Lopes
Tempo magoado
A árvore deitada ao chão
Conta nos galhos secos então
Que viu passar outrora
Na vizinha estrada sem hora
Um bando de animais ferozes
E muito menos velozes
Filhotes sobreviviam
Distintos coexistiam.
Desprenderam-se do bando outros
Que por teimosia, destino ou loucos
Decoraram caixotes com suas peles
Madames, em ombros de lebres
Conta que viu trepar em seu galho
Saguis, preguiças, quatis em chocalho
Que o fruto nascia farto
E que tinha nos ramos parto
De aves calmas
De raras palmas
Faziam-se sombras
Descansavam pombas
Que seu chão era rico
Antes do dia do fico
E que o verde enluarado abundava
Em amarelo ensolarado tudo dava
Quando caia a tarde
Antes que caia árvore.
Casciano Lopes

Conta nos galhos secos então
Que viu passar outrora
Na vizinha estrada sem hora
Um bando de animais ferozes
E muito menos velozes
Filhotes sobreviviam
Distintos coexistiam.
Desprenderam-se do bando outros
Que por teimosia, destino ou loucos
Decoraram caixotes com suas peles
Madames, em ombros de lebres
Conta que viu trepar em seu galho
Saguis, preguiças, quatis em chocalho
Que o fruto nascia farto
E que tinha nos ramos parto
De aves calmas
De raras palmas
Faziam-se sombras
Descansavam pombas
Que seu chão era rico
Antes do dia do fico
E que o verde enluarado abundava
Em amarelo ensolarado tudo dava
Quando caia a tarde
Antes que caia árvore.
Casciano Lopes

11.6.11
Trans
Vi s t a
In t e l i g e n t e m e n t e
Tr a v e s t i d a
Ro u b a
Im a g i n a ç ã o
Na t u r a l m e n t e
El e g a n t e.
In t e l i g e n t e m e n t e
Tr a v e s t i d a
Ro u b a
Im a g i n a ç ã o
Na t u r a l m e n t e
El e g a n t e.
Casciano Lopes
10.6.11
Quebre se for preciso
Quando sentimos o desconforto
Na nuca
O destempero
Na veia
O susto
Na testa
O medo
Nas mãos
A febre
Nos pés
A angústia
Na pele
A ira
Nas meninas
Dos olhos e neles
A desesperança
Onde o gelo
Molha a alma fria
Onde a montanha
Esconde a nudez
E a mornidão dos dias
Já não aquece a fé...
É hora de transgressão,
Do que dizem ser certo
E do que se esconde das certezas.
Casciano Lopes
Na nuca
O destempero
Na veia
O susto
Na testa
O medo
Nas mãos
A febre
Nos pés
A angústia
Na pele
A ira
Nas meninas
Dos olhos e neles
A desesperança
Onde o gelo
Molha a alma fria
Onde a montanha
Esconde a nudez
E a mornidão dos dias
Já não aquece a fé...
É hora de transgressão,
Do que dizem ser certo
E do que se esconde das certezas.
Casciano Lopes
Anjo Alisson
O que disse a mãe?
O que disse a tal sociedade?
Quando um anjo
Novato na terra
Pisou descalço
Um chão frio
Em inverno cortante
Desprovido de lã
Encolheu os braços
E esticou o olhar
Buscando o calor,
Solitário frio
Pele angelical trêmula
De abandono vil
De uma roxidão
Que a mãe não viu
E que a tal sociedade...
Fez que não viu.
Casciano Lopes
O que disse a tal sociedade?
Quando um anjo
Novato na terra
Pisou descalço
Um chão frio
Em inverno cortante
Desprovido de lã
Encolheu os braços
E esticou o olhar
Buscando o calor,
Solitário frio
Pele angelical trêmula
De abandono vil
De uma roxidão
Que a mãe não viu
E que a tal sociedade...
Fez que não viu.
Casciano Lopes
3.6.11
Ser imortal
A dor mais intensa,
Mais cortante...
É a ausente,
A distante,
A imaterial,
Fere o que os olhos
Não contemplam
Nem tocam
Atinge o que está fora
Do tato
Da audição...
A pequenez do ser
A infame existência
E a lúdica condição de mortal
Faz imortal o sentimento
De dor.
Casciano Lopes
Mais cortante...
É a ausente,
A distante,
A imaterial,
Fere o que os olhos
Não contemplam
Nem tocam
Atinge o que está fora
Do tato
Da audição...
A pequenez do ser
A infame existência
E a lúdica condição de mortal
Faz imortal o sentimento
De dor.
Casciano Lopes
27.5.11
Translúcido
Fugindo da sombra...
Uma noite
Uma lua foge do homem
Que atravessa a rua
Que esconde um mapa
Traçando nua
Uma mulher esguia
Que se desliza
Por um nascente sol
Que fugindo do meio dia
Traz nublada uma nuvem
Que apressada fabrica
Trovões e relâmpagos
Que riscam céus
Dissipando a sombra
Fazendo dia da tarde fria
Molhando uma rua
Lua traz
Nua fica
Claridade na face
Do que sai da sombra.
Casciano Lopes
Uma noite
Uma lua foge do homem
Que atravessa a rua
Que esconde um mapa
Traçando nua
Uma mulher esguia
Que se desliza
Por um nascente sol
Que fugindo do meio dia
Traz nublada uma nuvem
Que apressada fabrica
Trovões e relâmpagos
Que riscam céus
Dissipando a sombra
Fazendo dia da tarde fria
Molhando uma rua
Lua traz
Nua fica
Claridade na face
Do que sai da sombra.
Casciano Lopes
Esquina do Eu
A curva do ser
Dobra a esquina do existir
Contorce a lembrança
Vira a alma do avesso
Torce a fé de coisa alguma
Quebra o Eu
E muda o que já é mudo
Em sonoro pranto reto
Curvo só o soluço
Ralentando passado.
Casciano Lopes
Dobra a esquina do existir
Contorce a lembrança
Vira a alma do avesso
Torce a fé de coisa alguma
Quebra o Eu
E muda o que já é mudo
Em sonoro pranto reto
Curvo só o soluço
Ralentando passado.
Casciano Lopes
24.5.11
Retrato de Sampa
Eee... Terra da garoa
Do chão de asfalto
Das raças e praças
Do ardor do trabalho
E da esperança passeante
Nas pontes andantes
De quem busca teu tempo.
Casciano Lopes
20.5.11
Densa idade
Tão intensamente intenso
Que penso que o intento tenso
Imerso e imenso
Mora num corpo denso.
Casciano Lopes
Que penso que o intento tenso
Imerso e imenso
Mora num corpo denso.
Casciano Lopes
Lembranças
Nestes cabelos brancos
Escondo tão somente
O que os negros
Um dia esqueceram.
Casciano Lopes
Escondo tão somente
O que os negros
Um dia esqueceram.
Casciano Lopes
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