9.4.26

A carta de 1980

A carta chegou no portão, escrita à mão. Sem pressa, veio embrulhada em envelope dos correios decorado de selos. Não fossem verso e reverso, remetente e destinatário se encontrariam.
O carteiro cheio delas em sua mala de lona, mais parecia um boateiro contendo notícias, que um homem cumprindo ruas em seu ofício.
Os portões ansiosos eram lugar de encontro de papéis, tintas e pessoas que riscavam letras que sabiam contar.
Um pedido de casamento, um mexerico, uma partida, uma chegada... De despedidas a risadas, cabia de tudo nos espaços que a caneta enchia de cheiros.
O mundo sabia dizer, sabia ouvir, sabia ler o escrito. E se não, o vizinho lia em voz alta a saudade que alguém sentia na carta que dizia.

Casciano Lopes

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