29.7.13

Limítrofe


Guardião


Enquanto passa


Dura ação


Da guarda


Ser/estar [questão do tempo]


Dormente


Vertida


Rasgados & Remendos


26.7.13

Muda que muda


Ao dia do Meio Ambiente


Brado


Voo essencial


Fortaleza


Ligações


Jamais solitário


23.7.13

Propósito

O acaso,
se não é o laço de fita do vestido...
é o vestido, é a festa.
Debutante que aflora
sem descaso.

Casciano Lopes

Entre a orquídea e a tulipa

Definir poeta é um tanto complicado...
um jeito orquídea, tulipa de ser
quem sabe,
quem dirá?
Não, não diga!
Deixa permanecer
deixa estar
é uma forma de brotar,
não colha
deixa lá.

Casciano Lopes

Casinha

Um dia quando tudo for calma e a pressa estiver vestida de verde,
é lá que vou morar...
entre a paciência e a vagareza.

Casciano Lopes.

22 de julho

A todos os poetas...
os que são meus amigos,
os que sou amigo de suas palavras,
um dia de mergulho na letra,
de descanso no amor da palavra
e do mais profundo sono
no sonho de dizer o mundo ao mundo.

Casciano Lopes.
Feliz dia

Identidade grisalha e castanha

Não pense que os castanhos claros
nunca se misturaram aos fios brancos
e jamais acredite que estes grisalhos
algum dia deixaram de esperançar os francos.

Saiba que cada qual faz assoalhos
Um para o outro são como alancos
Ora os cabelos são como galhos
E ora os olhos os banham em prantos.

Casciano Lopes

Beira de frio

Já gostei tanto de frio, e hoje nem sei!
Tudo reclama, até a brasa do fogareiro
Não sei se é a idade ou a frieza das paredes
Só mesmo a poesia pode dizer ao braseiro.

Casciano Lopes

Um inerte botão

Não menospreze um botão
na poesia ele vira mão, contramão
vira rosa, abotoa casaco pra vestir gente fria.

Casciano Lopes

18.7.13

Aquém e além


Fido

Lido com meu dia
como quem lida com a roseira
que sempre linda e florida
hora ou outra me faz ferida

De manhã um pouco berlinda
só com prece de rezadeira
começa a tarde e se bota finda
a noite vem sempre bem vinda

Na cama do que vi da vida
enquanto sou lido nesta esteira
durmo legado ao que vem ainda
e a madrugada desce entrevinda.

Casciano Lopes

17.7.13

E por falar em dor

Ainda prefiro a cruel dor de ser apontado

que a delicada dor da invisibilidade.

Casciano Lopes

Veja bem

Quando o pasto resseca:
o ribeirão secou
ou a mão do dono abandonou?
Em ambos os casos cabe a pergunta,
quem é o dono?
Seria o do gado que envenenou
ou quem a missão abortou?
Quem?
E o gado, morreu ou se vingou?

Casciano Lopes

De idade

relicário
uma foto, pedrinhas
e um rosário

Casciano Lopes

Consulta com Xamã

Se a criança
não chora,
não pede,
não reclama,
não grita,
não brinca,
não pula
e nem se machuca...
A culpa é sua!
Depois não entende
e fica a reclamar!
Não falo da criança do vizinho
falo da sua que você deixou crescer
ou pois a dormir e esqueceu de acordar
... a que mora dentro de você 'grande homem'.

Casciano Lopes

E ela não dorme

Gosto da poesia porque ela me permite conversar com a rua.
Eu e a árvore discutimos de igual pra igual sobre filosofia
presunção minha... ela entende muito melhor que eu do assunto.
De tempos em tempos faço viagens à Júpiter, Plutão e trago notícias.
Busco o sol aqui pra casa e tem horas que tenho que expulsá-lo
pra que possa chegar a lua, então nos deitamos no chão da sala,
falamos sobre tudo, até quando os olhos adormecem de cansaço
deixando falar sozinha, a poesia.

Casciano Lopes

Poema operário

O poema tem que desconstruir
É inútil sem fazê-lo
Mesmo quando há uma identificação
Precisa provocar quebra
Para uma nova construção
E ainda deve ser capaz
De a cada leitura provocar demolição.

Casciano Lopes

16.7.13

Assim falava

'sturdia, eu vinha prosiando pela colonha,
tinha um soli tão bunito no fim do pasto
e pensei, ora pois! Se não é lindo vê
o trabaiá di Deus...'
Assim falava minha avó índia,
saudade desses versos.

Casciano Lopes

Beira de estrada

Na algibeira
tem jornada
tem rezadeira
paz lavrada
tem peneira
tem pancada
até ladeira
na tal passada
tem bebedeira
tem jangada
faz cachoeira
na enseada
tem lareira
tem passarada
uma chaleira
olha invernada
fé é carteira
luta é pousada
na algibeira
do camarada.

Casciano Lopes

15.7.13

Perdendo-se

As vezes enquanto morremos de sede
Um rio banha o fundo de nossa casa
Onde se esbaldam todos os passantes.
Enquanto isso estamos tentando desenferrujar
Nossas latas dentro da sequidão de nós mesmos.
Casciano Lopes

Espelho


Findo ato

finitude
amplitude
importa atitude

Casciano Lopes

Segui

ontem fui
hoje
flui

Casciano Lopes

Se me perguntarem...

Se perguntarem...

De que sou feito ou do que gosto, digo:
gosto de bicho
de gente
de bicho que é gente
não de gente que é bicho
de cantoria
de passarinho
pontes
rios
trens
olhos
risos
abraço forte
beijo
poesia
bambus
borboletas
orquídeas
tulipas
violetas
plantas
pares
papo
prosa
verso
chocolate
cafézinho
cores
luzes
cheiros
mato verde
pomares
antiguidades
sinos
relógios
tempo
fotografia
partituras
velas
fogo
água
ar
terra
chuva
montanhas
pedras
estradas
escadas
lendas
fábulas
brinquedos
estações
chegadas
não partidas
gosto de papel em branco
de cartas
de papel de presente
de pensamentos
de argumentos
de sol e lua
de pessoas claras
de estrelas
galáxias
universo...
É disso que gosto.
E de tudo isso sou feito.
Gosto de inteiros.

Casciano Lopes

14.7.13

Em pios


Hospedagem


Deixe-me ser


Árvores, cores, caneca e passarinho

A caneca feita de passarinhos,
de transportar chocolate ou chá quente,
bichinhos de anis e vernizes,
de tons pastéis e penachos
colore e aquece o frio da gente.
De onde nascem as cores e raízes,
plantadas morro abaixo,
afinadas morro acima,
na caneca enfileiradas,
apontadas como os bicos.
Vem vestidas de madeiras,
coloridas como em mata,
quem sabe de cerejeira,
onde outrora melindrosas,
abrigaram-se empoleiradas,
em seus galhos de pousar,
em suas terras de plantar,
ou na caneca de guardar
o que o olho enxergar.

Casciano Lopes




Mergulhe


13.7.13

Ser intacto

A menina atravessa a rua
Como quem não tem pressa
Segura firme a mão adulta
Que como quem tem pressa
Corre. Grita, corre!
Foge dos carros sem pressa
Conduzidos pelos cheios dela
As faixas estáticas todas brancas
Desenham o retinto corredor
Que em segundos recebem reflexos
Amarelos, verdes, vermelhos...
Cronometrados:
Atenção, passe, pare
A menina que desconhece a gastura
Chega intacta do outro lado
E sem entender urgências
Saltita pela calçada até o próximo farol.

Casciano Lopes

Relógios

Carregamos no pulso, o colocamos em paredes
Os olhos estão sempre atentos aos digitais que o marcam
Relógios...
Não damos conta que este mesmo tempo marcado
Samba em nosso Eu, intrínseco e sem ponteiros
Que seu barulho compassa feito um surdo cada passo
Não percebemos que o avançar das horas e suas frações
Se dá com nosso próprio envelhecimento irremediável
E que a linha de chegada se posta cada vez mais distante
Enquanto se acredita que o tempo é algo que acontece lá fora
Talvez por isso acreditamos assim
Como se pudéssemos esticá-lo mais um tantinho
Quando nos colocamos dentro, agindo como os milésimos
Descobrimos que o passado é coisa de amanhã
Que o futuro é um dado presente e que o tempo é único
Uma descompassada falta de duração que faz sentido
Sem a obrigatoriedade de existir.

Casciano Lopes


9.7.13

Desapropriado

Meu leite é igual o teu
A fome de meu bebê
Não é diferente da do teu


Quando você chegou
Te recebi como boa anfitriã


Hoje
Tudo se inverteu
Jã não sou bem vinda
No chão que era meu.


Casciano Lopes.


Elementais

Somos da terra
A terra é nossa
Sofremos as intempéries
Juntos
Brotamos
Choramos água
Da abundância ou escassez
Nos ventam céus
Nos voam rapinas
Na interdependência
Nos emprestamos verdes
Nos embebedamos do mesmo solo
Se morremos?
Sim...
Os finitos se guardam
Os infinitos...
Se não morrem escondem a morte
Pra que vivam outros cúmplices.

Casciano Lopes.


Longe de casa

Enquanto o homem achar que entre ele e uma árvore, ele tem prioridade... ainda estará perdido e longe do caminho de casa.


Casciano Lopes

Holístico

É importante que em cada olhar lançado para a parte,
tenhamos a concepção do todo.
Não é porque nosso jardim está verde,
que a sequidão da destruição não exista.

Casciano Lopes.

A essência nua

O homem mais poderoso do mundo
Nunca conheceu a vergonha
Tem os mundos como casa
Banha os rios e estes o banham
Funde-se à Natureza confundindo-se em cores
Sua nudez tem a beleza do chão da terra
Os céus o encobrem de estrelas
E os astros brincam em seus quintais.

Casciano Lopes.

Não me critique por isso

Minha religião, não existe aqui na fisicalidade, não mais! Não é avarenta, mesquinha, preconceituosa, materialista, acusadora, carcerária, impositiva, fundamentalista, teocrática, idólatra, mentirosa, lendária, ególatra, não é! Não mora em paredes, não se reúne em máfias, não carrega rótulos, não empobrece ninguém e nem se esconde em placas de templos de falsa moral. Ela acontece em ligação direta, é esclarecedora e libertária, alivia e acalenta, tornando divino o sentir, harmonizando corpos sutis me fazendo vibrar em paz. Mora na certeza do todo, da completude e de minha pequenez diante do universo vasto de riquezas e eternidade, do qual faço parte, pequeno, mas com a missão de doar, mais que acumular o que não me pertence.
Minhas posições, a cada ano se aprimoram dentro da vontade de fazer valer o direito primordial do ser humano, liberdade. Tudo o que prende e domina, não provém de boas fontes e portanto, não pode gerar água doce.
Minha fé e esperança, é a de que o homem um dia devolva a quem pertence tudo o que roubou, mesmo que isso ocorra em outras dimensões, e de que a humanidade encontre uma forma de reparar o dano que causou a povos extintos e a outros em via de extinção (compreenda aqui todas as formas de vida, tudo que se extingue), é a de que a humanidade consiga entender de forma definitiva que a luta por dominar os territórios alheios, (entenda-se por territórios também o indivíduo e sua intelectualidade) terá um alto custo e que nunca se conseguirá sanar esta dívida, não sem danos irreversíveis e que a morte não fecha essa conta.
Se conseguir não me criticar por isso, terá dado o primeiro passo.

Casciano Lopes.

6.7.13

Depois dos quarenta

Depois de uns 40, a gente muda...
40 tapas, negativas, rasteiras,
promessas falsas, palavras vazias,
encontros furados, mentiras,
iniciativas hipócritas, olhares falsos,
abraços frágeis, exclusões,
conte comigo 'de mentirinha',
olhares reprovadores,
manifestações de interesse pessoal
em apertos de mãos desconhecidos...
40 anos depois (com quase 3 de atraso).
Ao se aproximar agora, cuidado!
Leia a placa em minha porta
aquela frase:
"Estou mudando algumas certezas de lugar".

Casciano Lopes.

Tempestade

Meus olhos carregam um estradão
comboios, carros de boi, poeirão
tem verde, mato e plantação.
São feitos de estima, pasto, roça
trios, trilhos e trechos de palhoça
peão e burro puxando carroça.
Moram mundos por ocasião
Cortam rios, brejos, choro em poça
Na tempestade de minha visão.

Casciano Lopes.