21.3.12

Compromisso

Chegou ao portão apressada como atrasada
Aos poucos começou caminhar de pouco
Divagando pelos passos por um tempo
Antigo quem sabe ou de recente passado
Emocionada demais para se conduzir
Parava apoiada nas esculturas de esquinas
Descansava nos passeios estreitos dos guardados
Nas frases de outros passados e nos buquês...
Alguns frescos recém visitados
E outros murchos de passado sem gente
Levantou os olhos e contemplou o silêncio
Algo como um livro de memórias
Discorreu pelas páginas e seus capítulos
Fechava e abria o livro
Leu o prefácio e seu autor
Assoprou algumas empoeiradas palavras
Sem visitas ou desperdiçadas leituras
Voltou para entender histórias
E leu quantas vezes precisou ler...
Lembrou-se do porque estar ali e apressou-se
Agitou as pernas pelos passeios da cidade vazia
Assim como os dedos pelas páginas do livro
Chegou ao título que buscava, mesmo sobrenome
O mais que conhecido...
O presente ausente que insistia em não ser passado
Sentou-se na grama verde e bem cuidada
Depositou um lindo arranjo de cravos
E chorou por ter sido deixada para trás
Registrou na lápide mais um risco de saudade
Contabilizando os anos que separam vida e morte
E a distância entre amando e amado...

Casciano Lopes

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